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REMINISCÊNCIAS DA MISSÃO METODISTA EM VITÓRIA DA CONQUISTA/BAHIA – UM ESBOÇO HISTÓRICO

Rev. Valdemar Trevenzoli
A conquista e o desbravamento do “Sertão de Ressaca,” (genericamente denominado Planalto da Conquista), tem início a partir da segunda década do século XVIII, quando de Minas Novas partiram as expedições que aqui chegaram, provocando um processo de reocupação da região. Fala-se em reocupação porque até a chegada dos bandeirantes a região era habitada por diversas tribos indígenas, entre as quais se destacam os Mongoiós, os Emborés e os Pataxós; que reagiram em defesa do seu território desde os primeiros contatos. Estas tribos foram sendo dizimadas mediante a ação da conquista bélica, a exploração e a disseminação de doenças contagiosas trazidas pelos conquistadores. Um dos exemplos mais bárbaros foi o chamado “Banquete da Morte”, evento promovido pelo bandeirante João Gonçalves da Costa, que convidou os índios para uma festa, e enquanto eles se divertiam, foram cercados e exterminados quase em sua totalidade.

Em 1752, o bandeirante João Silva Guimarães, acompanhado do seu genro, coronel João Gonçalves da Costa, promoveu e venceu as batalhas decisivas contra os indígenas. O processo de conquista se completou no começo de 1780. Como recompensa D. João, príncipe regente, concedeu ao bandeirante uma parte do terreno conquistado.
Não se sabe ao certo quando foi implantado o Arraial da Conquista. Alguns documentos apontam a presença do coronel João Gonçalves da Costa e de um núcleo populacional composto de aproximadamente 60 pessoas já no ano de 1780. Em 1803, teve início a construção da capela, sob a vocação de Nossa Senhora da Vitória. Esta, em função do massacre dos índios, foi erguida como uma espécie de gratidão pela conquista da terra.
No começo do século XIX, o Arraial da Conquista começou a se desenvolver com a construção de roças e casas de taipa em volta da igreja, núcleo urbano inicial que viria a se tornar a Rua Grande. Inicialmente, o Arraial achava-se sob a jurisdição da Freguesia do Rio de Contas, passando por Jacobina, e finalmente pela Freguesia da vila do Príncipe de Caetité. O Arraial da Conquista foi elevado à condição de Vila Imperial por meio da Lei provincial nº 124, de 1º de maio de 1840. A instalação do município, com eleição de vereadores e posse da primeira câmara legislativa ocorreu em 9 de novembro de 1840, data em que se comemora a sua emancipação política. O poder executivo da Vila era então exercido por um Intendente, que acumulava a função de Presidente da Câmara.
Tanto os vereadores como o Intendente eram escolhidos entre os “homens bons” da Vila – aqueles em quem se associavam a posse de grandes propriedades e outros predicados considerados necessários ao exercício do poder. Embora as origens legais do coronelismo estivessem ligadas à criação da Guarda Nacional em 1831, movimento reforçado no período da República Velha; o poder representado por este remonta aos princípios da Colônia. As políticas do apadrinhamento, da troca de favores e da fidelidade comprada, têm suas raízes na cultura política conquistense desde o século XIX, prolongando-se por quase todo o Século XX.

1. Referências geográficas

Altitude: 921 metros
Área: 3.743 Km2
Temperatura Média: 18º C
Limites: N – Planalto
S – Cândido Sales
E – Barra do Choça
O – Anagé

2. Vegetação

Há predominância de quatro tipos básicos de vegetação:

a) Mata úmida, na parte leste;
b) Mata de Cipó, no centro;
c) Caatinga, a oeste;
d) Manchas de cerrado.

3. Preâmbulo da missão metodista
“Quero trazer à memória o que me pode dar esperança”
(Lm 3.21).

Há muito tenho alimentado o desejo de escrever as reminiscências da Missão Metodista em Vitória da Conquista. Nomeio aqui fatos ocorridos mesmo antes do início propriamente dito das ações missionárias. Também me sinto na obrigação de logo de início solicitar a retificação da data tida como inaugural das ações missionárias da amada Igreja Metodista na bela cidade de Vitória da Conquista. Os registros aqui apresentados comprovam a historicidade do domingo dia 3 de maio de 1967, às 19h30m, e não em 1968, como a verdadeira data em que a missão metodista iniciou a gloriosa proclamação do Evangelho de Jesus Cristo; num lugar humilde, sem muito estardalhaço, tendo como primeiro resultado a “colheita” de oito almas para o “celeiro divino”. Na verdade, quem não tem memória não tem história.
De início, falemos de sonho. No mês de outubro de 1966, após um dia de intensa atividade na construção do templo no bairro São Vicente, em Resplendor, Minas Gerais, repousei-me e sonhei que estava viajando para uma cidade distante e desconhecida. No sonho, havia uma rodovia que parecia não ter fim. Ao chegar a Vitória da Conquista me deparei com uma avenida espaçosa e ensaibrada, um seminário e um templo católicos, e um templo batista fechado. Este, portanto, parecia ser mais um dos sonhos que tive em minha vida, que me apontava um ministério específico na Igreja Metodista.
Há algum tempo depois, a Junta Regional de Missões e Evangelização, sob a presidência do Rev. David Rodrigues Pontes, movida pelo Espírito Santo, reuniu-se em Belo Horizonte no mês de novembro de 1966 e achou por bem sugerir o meu nome para exercer as funções de missionário na cidade de Vitória da Conquista, Bahia. Após a aprovação, recebemos a visita de dois membros da Junta de Missões em nossa residência para comunicar a decisão. Aceitamos o desafio e o Bispo Almir dos Santos designou-nos para assumir o novo desafio missionário. A Associação da Igreja Metodista autorizou o secretário executivo, Rev. Ferdinando Pereira Coelho, juntamente com sua equipe, a efetuarem a compra de uma área no bairro Gerson Sales, para construirmos o templo, a casa pastoral, dependências para educação cristã e também a Escola “Bispo Almir dos Santos”.
4. Primeira visita missionária

Depois de alguns dias, viajamos em companhia do Rev. Derly Araújo da Silva, para conhecer a cidade, o novo campo missionário e tomarmos algumas providências, como residência para a família e escola para os filhos. Quando chegamos lá, vimos que tudo estava de acordo com o sonho descrito. Percorremos quase toda a cidade. A população somava 80 mil habitantes e o prefeito era o Dr. Fernando Spínola.

5. Caravana missionária

No dia 8 de novembro de 1966, despedi-me da família e viajei para Vitória da Conquista. Na cidade de Governador Valadares, aderi à caravana missionária composta por: Bispo Almir dos Santos; pastores Moacyr Louzada Machado, Firmino Lopes dos Santos, José Féo, Ferdinando Pereira Coelho e o mecânico, Sr. Adelci. Dirigimo-nos primeiramente para o campo missionário em Teófilo Otoni. Lá tivemos duas reuniões e na ocasião foi colocada a placa administrativa do campo missionário naquela cidade, que por sinal estava indo muito bem sob a condução do missionário Messias Manoel de Souza.
No dia 9 de novembro partimos às cinco horas da manhã rumo à Vitória da Conquista. Chegamos às 13 horas. Foi uma viagem abençoada. Faltavam-nos palavras para descrever as impressões que tivemos da cidade. Pode-se dizer que Vitória da Conquista é uma das grandes cidades entre Salvador e Teófilo Otoni. Considerando-se a distância entre os grandes centros, ela é a metrópole do interior. A cidade é linda, o povo é bom e comunicativo.
No dia 10 de novembro, em uma reunião, fizemos uma leitura bíblica seguida de reflexão no livro de Ezequiel 18.21-23. Fiquei entusiasmado e dando graças a Deus por tudo. Após o almoço visitamos a propriedade da missão. À noite, tivemos reunião dirigida pelo Bispo Almir no Hotel Novo Mundo, em memória ao Bispo César Dacorso Filho. Ajoelhamo-nos e oramos pelo novo campo missionário, na esperança de que Deus nos usaria para realizarmos proezas em seu nome. A comitiva seguiu para Salvador e eu continuei por mais três dias para conhecer melhor a cidade.
No outro dia, 11 de novembro, ao despertar-me, fiz uma leitura e reflexão bíblica em II Crônicas 15.1-8. Ajoelhei-me, e suplicante, pedi ao Senhor que me abençoasse com saúde espiritual, emocional e física, a fim de que os caminhos ásperos fossem aplanados na força do Senhor. Nossa expectativa e desejo de ver a obra consolidada em breve tempo era intensa. Visitei o bairro Gérson Sales, local da sede missionária, e percorri várias ruas. Visitei o Colégio Batista, no qual fui contratado posteriormente para lecionar. Com isso, teria direito ao INSS, e com este salário iria mais tarde investir na assistência aos necessitados. Naquele dia ainda conheci outros bairros. À noite, assisti ao programa artístico no cine Glória.
No sábado, dia 12, pela manhã, orei ao Senhor para que me abrisse uma porta para as primeiras reuniões. Andei bastante e telefonei para a dona Maria Stela, esposa do Dr. Ubaldino Filgueira, que me disse ser metodista convertida no Colégio Izabela Hendrix. Ao saber que eu era missionário metodista, ela me disse: “Se o senhor fundar a Igreja Metodista aqui, eu darei o meu apoio”. Que alegria foi encontrar aquela irmã! Depois, li o texto de Apocalipse 3.7-8, orei e saí à procura da irmã Maria de Lourdes dos Santos, metodista e residente na cidade. Encontrei um senhor bondoso, que me ajudou a encontrá-la. Que bênção! Graças a Deus! A referida irmã frequentava a Igreja Presbiteriana. Era uma pessoa muito capacitada e animada. Às 16 horas daquele mesmo dia, visitei a irmã Maria Stela Filgueira que residia em uma bela casa. Ela ficou feliz e animada com o projeto missionário. Posteriormente, esta irmã doaria dois lotes de terreno para a construção da congregação no Alto Maron.
No dia 13, li pela manhã o Salmo 37. Tive um encontro com Daniel Bermann, membro do “Peace Corps”, no Hotel Novo mundo. Tratamos de assuntos de interesse da missão metodista, especialmente sobre educação e assistência social. Na tarde daquele dia caminhamos pelo bairro mais uma vez.
No outro dia, 14 de novembro de 1966, tive o privilégio de pregar na Igreja Batista Betel pela manhã. À tarde visitei a irmã Maria de Lourdes dos Santos e oramos pela missão. À noite preguei na Igreja Presbiteriana.
No dia 15 de novembro levantei-me às 5h30m e viajei para Resplendor. Depois cheguei a Teófilo Otoni, onde almocei com o Pr. Messias Manoel de Souza, seguindo após para Governador Valadares. Ali, visitei e conversei longamente com o Rev. Firmino Lopes dos Santos sobre o campo missionário e assegurei-lhe que Deus já estava abençoando a missão. Havia muitas esperanças sólidas de vitórias. Afinal, foram seis dias abençoados e de muitas experiências em uma terra estranha, com costumes tão diferentes dos mineiros.

6. Chegada da família Trevenzoli

Já há 50 anos cantamos “com um nó na garganta” o hino de número 209: “Nem sempre será para onde quiser que o Mestre me quer enviar [...] Estou pronto a fazer o que queres Senhor, confiado no teu poder [...] Levarei palavras [...] de amor e perdão para buscar e libertar os que estão perdidos no caminho do vício e sem salvação [...] Um canto modesto eu quero encontrar”.
No dia 28 de janeiro de 1967, chegamos com a família em Vitória da Conquista; mas o caminhão que transportou a mudança não havia chegado, pois as estradas de chão no estado do Espírito Santo estavam esburacadas, devido a muita chuva. Sem casa e sem mudança, fomos acolhidos simpaticamente pelos irmãos Djamilton, Maria de Lourdes e Lúcia. Imaginem! Sete pessoas numa casa pequenina, mas com gente de coração tão grande. Posteriormente conseguimos uma casa com dois quartos, sala, cozinha, mas sem banheiro. Havia uma sentina no fundo do quintal. Tomávamos banho “de caneca”. Não havia água encanada, mas havia uma cisterna. Não se podia beber a água do poço. Tínhamos que comprar água em carotes, uma espécie de recipientes de madeira.
Tivemos um período de três meses e sete dias para nos adaptarmos aos hábitos e costumes do povo baiano. Pode-se afirmar que o povo é bom e solícito. Neste período enfrentamos muitas dificuldades. Não tínhamos recursos sequer para abastecer a casa, pois o subsídio pastoral atrasou dois meses. Houve problemas na ordem de pagamento. O dinheiro era depositado, mas não chegava a Vitória da Conquista, e assim retornava. Na verdade, confundiram com a cidade de Vitória, no Estado do Espírito Santo.
Cremos que essas provações faziam parte do projeto de Deus. Certa manhã, depois do culto doméstico, saí de jipe com pouca gasolina para pedir dinheiro emprestado. Logo adiante havia uma senhora com a mão estendida. Era a irmã Cecília. Parei o carro e ela me disse: “Estive pensando em procurar o senhor, a fim de dar uma oferta para a missão. Quem sabe estão precisando de ajuda! São cinquenta cruzeiros. Não é muito, mas creio que vai ajudar”. Naquele momento senti uma forte emoção. Naquela época, com dez cruzeiros se fazia uma boa compra. Assim, pudemos abastecer o jipe e a casa por algum tempo. Dona Cecília e João baiano, seu esposo, eram batistas. Foi um casal que muito nos ajudou.
Mais tarde os recursos se acabaram novamente. Pela manhã, depois do culto doméstico, dona Luíza, minha sogra, me disse: Senhor Trevenzoli, não temos mais nada na cozinha. Em seguida, alguém bateu à porta. Abrimos e lá estava o menino Menandro, dizendo: “pastor, painho pediu-me pra perguntar se o senhor está carecendo de alguma coisa. Se tiver, é pra dar um salto lá em casa”. Fui ter com o irmão Manequinho, da Igreja Batista, e este disse que ao estar orando por nós Deus moveu seu coração para dar uma oferta para a Missão Metodista. Assim, nos doou a quantia de cem cruzeiros. Meu coração bateu forte e meus olhos lacrimejaram diante daquele milagre. Transcorridos mais alguns dias, chegaram duas ordens de pagamento. Aí foi só festa!
Graças a Deus, recebemos diversas manifestações de apoio. De alguns irmãos batistas, como o Pr. Arthur Freire, que cedeu um espaço na rádio para proferirmos mensagem em nome da missão metodista; o prof. Fernando Monteiro, Gildásio e Gidalfo Filgueira; o prof. Jesiel Norberto, que foi quem me acolheu em seu Colégio para lecionar, e o meu filho Wesley para estudar. Eu havia conseguido autorização para lecionar sob a condição de que o salário fosse aplicado na missão.
A área da missão era muito espaçosa. Creio que o plano de Deus era para iniciarmos do ponto “zero, zero”, a saber, joelho no altar e pé na rua. Não havia sequer uma garagem para reunião. Mas tudo estava de acordo com a providência divina. Os pastores batistas e presbiterianos nos convidavam para pregar, e assim fomos ganhando espaço.
7. Data célebre: 03 de maio de 1967, às dezenove horas e trinta minutos.

Neste dia convidamos algumas pessoas e fomos ao bairro das Bateias. Estacionamos o jipe na frente da casa do Sr. Aurelino Souza Santos. Colocamos o projetor no capô do jipe e fixamos na parede da casa de adobão, do senhor Adão, um lençol branco para projetarmos nele slides coloridos sobre a Crucificação de Jesus Cristo. Aurelino estava alcoolizado e ficava andando pra lá e pra cá, atravessando em frente à tela e dizendo: “Tá bonito, tá muito triste! Coitado de Jesus!” Depois da apresentação, fizemos um apelo para aqueles que desejassem aceitar a Jesus Cristo como seu Senhor e Salvador pessoal. Que surpesa! Que maravilha! Oito pessoas fizeram sua decisão por Jesus Cristo! Assim, a história da Igreja Metodista em Vitória da Conquista teve seu início oficialmente no domingo, dia 03 de maio de 1967.
No mês de julho do referido ano, fundamos a Escola Dominical com 34 alunos na residência do Sr. Aurelino, que havia sido um dos primeiros convertidos. Só sua família tinha 14 pessoas. Levamos para lá o harmônio, no qual Laura tocava os nossos hinos – uma novidade no bairro! Enquanto a missão avançava, a casa pastoral ia sendo erguida com rapidez. Reservamos um espaço maior para as reuniões, preparamos algumas salas, e enfim no mês de setembro transferimos a Escola Dominical para a sede da missão. No mês de agosto 1967, celebramos na Igreja Presbiteriana, com a colaboração do Rev. Derly Araújo da Silva, os primeiros batismos, contando com 21 pessoas convertidas.
Em fevereiro de 1968, iniciamos em regime de mutirão realizado sempre aos domingos, a construção do templo anexo à Escola Bispo Almir dos Santos. No mês de setembro passamos a nos reunir no templo, mesmo ainda inacabado. Muitas pessoas vendo o nosso entusiasmo, participaram do mutirão conosco. Enquanto as crianças cantavam na Escola Dominical, homens e mulheres com colher de pedreiro, enxada, prumo e régua; abriam cavas para o alicerce, faziam massa, carregavam tijolos; e algumas irmãs preparavam o almoço pra todo mundo. Tudo feito num clima de muita festa e alegria!
Muitas pessoas se converteram, foram batizadas e arroladas como membros da Igreja Metodista em um livro provisório. O crescimento rápido também provocou algumas perseguições, que nos estimulavam a trabalhar e avançar ainda mais. Certa vez um líder religioso ameaçou-nos pelo alto-falante, alertando ao povo para ter cuidado com o missionário “travingoli.” Ele dizia: “Ele está tirando gente da nossa igreja. Ele está iludindo vocês. Evitem ir lá, pois no seu lugar de reuniões tem um bezerro de ouro”. Alguns foram conferir e aceitaram a Jesus Cristo como Senhor e Salvador.
Em meados de 1968 fundamos um ponto missionário na Cabeceira, onde havia muitos parentes de membros da igreja. A Escola Bispo Almir dos Santos (EBAS), já contava com mais de 150 alunos no primeiro ano do curso de Admissão ao Ginásio. Tudo que era feito tinha como alvo a missão. Às quartas-feiras, os alunos iam ao templo participar da assembleia bíblica. A igreja estendia seu “coração” em três focos principais: evangelização, ensino e ação social. Os professores não eram remunerados. Cada aluno pagava dois cruzeiros por mês, e os professores recebiam uma gratificação. Era um tipo de voluntariado. Laura, minha esposa, era uma das que lecionavam de graça, alfabetizando adultos.

8. Organização da igreja
No dia 31 de dezembro de 1968 aconteceu a histórica e primeira edição do Concílio Local para organizar oficialmente a Igreja Metodista. Havia número suficiente de membros para o ato oficial, conforme determinavam os Cânones da Igreja Metodista. Uma vez reconhecida oficialmente como igreja, procedeu-se à eleição dos primeiros oficiais. Assim, ficou organizada a Igreja Metodista em Vitória da Conquista, na Bahia, da seguinte forma: Rev. Valdemar Trevenzoli, Presidente da Assembleia; Maria de Lourdes Teixeira Souza Guimarães, guia-leiga; Eunilde Ferraz Leite, secretária da igreja; Acidália de Oliveira Ferraz, superintendente da Escola Dominical; Aurelino Sousa Santos, Augusto Ferras Leite, Francisco Portela de Oliveira, Crescêncio Pinheiro de Souza, Vitalino Gonçalves dos Santos, Dário Ferraz Leite, ecónomos; Laura Karl Trevenzoli, Eunice Portela de Andrade, Anatalina de Oliveira, Maria de Lourdes Teixeira Souza, Lourdes Teixeira Souza, Lourdes F. dos Santos, Umbelina O. Cerqueira, Anália A. Monteiro e Luzia Ferraz Neta, que compunham a Comissão de Evangelização.
Infelizmente, por ser eleito reitor do Instituto Rural Evangélico, não pude realizar outros sonhos que creio que eram de Deus nos projetos missionários para os quais Ele me enviou. Não pude furtar-me à responsabilidade e ao dever de obedecer à decisão episcopal. Entretanto, tenho a consciência de que em tempo algum, fui desobediente à visão missionária. Também estou bem certo de que o mastro foi cravado no solo baiano e nele está hasteada a bandeira do Metodismo, a desfraldar ao sopro do Espírito Santo. Como nos diz o sábio, “O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa vem dos lábios do Senhor” (Pv 16.1).

9. Marcas que deixamos e marcas que trouxemos.
Quero que todos, pastores e pastoras, irmãos e irmãs, fiquem cientes de que deixamos e levamos marcas indeléveis desta amada Igreja. Aqui minha esposa, fiel a Cristo, colaboradora na missão, por duas vezes quase veio a óbito. Primeiramente ao abortar em 1968 e 1969, por falta de cuidados médicos especiais que faltavam no precário serviço público de saúde na cidade. Depois, ainda em 1969, foi acometida de uma lesão renal e toxemia sanguínea, que provocou um acesso convulsivo puerperal ou pré-eclâmpsia com o resultado natimorto de nossa filha, Berenice. Laura ficou cega durante 15 dias. Buscamos a ajuda de Deus nas orações e na Ciência. Os médicos Dr. Esaú, Jetro e Fernando lutaram, e auxiliados por uma junta médica, conseguiram debelar a enfermidade. Lembro-me muito bem que ao chegar na Igreja Batista Betel, e encontrar-me com o Dr. Jesiel ensaiava o coral, todos prontamente se ajoelharam em oração pela Laura. Ao chegar na missão, também encontrei os irmãos/ãs ajoelhados, orando, chorando e buscando o socorro do Senhor. Até hoje isso nos dói muito, pois desejávamos ter uma baiana em nossa família! Mas Deus esteve conosco “no vale da sombra e da morte.” Comunicamos o ocorrido às autoridades da igreja e o consolo nos veio por meio dos irmãos batistas e de muitos irmãos da missão. “Fomos abatidos, mas não destruídos” (II Cor 4.9b; 7.6).
Quanto mais sofremos por amor a Jesus Cristo e aos que foram resgatados, mais profundas foram as marcas. Como nos ensina Emil Brunner: “Quanto mais profundo é o sofrimento, mais aguçada e profunda é a esperança de vitórias”. Saibam os amados que boa parte do nosso coração ficou em Vitória da Conquista.
Tudo quanto se fez foi para a expansão do Reino e para a glória de Deus. Nada temos a reclamar. Somente dar graças ao Senhor que nos chamou, capacitou, guiou e sustentou. Faço um registro de agradecimento e reconhecimento aos irmãos e irmãs que lançaram mão no arado para sulcar a terra, a fim de semear o Evangelho para a salvação de almas.

10. As portas do inferno não prevaleceram

A missão em Vitória da Conquista enfrentou muitas lutas, “mas as portas do inferno não prevaleceram contra a igreja.” Podemos dizer que houve um eclipse parcial na vida da missão. Digo parcial porque graças a Deus, alguns irmãos/ãs de oração, fiéis e destemidos, não deixaram a bandeira do metodismo a “meio mastro”. Assim, no mês de julho de 1976 estes irmãos/ãs deram ciência dos fatos ao Bispo Moacyr Louzada Machado solicitando providências, pois a missão estava quase abandonada devido à ausência de autoridade eclesiástica competente. Com isto, o Bispo Moacir escreveu-nos uma carta que dizia: “Rev. Valdemar Trevenzoli, passe à Vitória da Conquista e ajuda-nos.” De pronto, atendemos mais uma vez ao apelo episcopal e viajamos para socorrer a missão. Na primeira reunião estiveram presentes cerca de 15 irmãos/ãs, decididos/as a lutarem pela restauração da Missão Metodista. Com choro, tristeza e muita luta evitamos prejuízos maiores para a igreja, que ainda era menina. Neste período percorríamos cerca de 550 km para atender os seguintes desafios missionários: Teófilo Otoni, Vitória da Conquista, Cabeceira, bairro Mucuri e Palmital.
Tomamos conhecimento de que uma igreja evangélica havia tomado posse da congregação de Cabeceira. Ao visitarmos os irmãos ali, notamos neles o desejo de construírem outro templo. Assim, lançamos a pedra fundamental no sítio do irmão Nozinho em setembro, e antes de dezembro do mesmo ano a construção já estava pronta. Quando passamos por lá em caravana para Salvador, o Bispo Moacyr Louzada Machado consagrou o templo. No ano de 1977 o pastor baiano João Mendes Barreto, foi nomeado para dar sequência à missão metodista em Vitória da Conquista.

11. Elenco de pastores/as

Elenco de pastores/as enviados pelo Senhor da Seara para servi-Lo ao longo de 45 anos, em Vitória da Conquista, na Bahia:

1.       Rev. Valdemar Trevenzoli,
2.       Rev. Davi Faria
3.       Rev. Joaquim Diogo (apenas por alguns meses, devido a enfermidade)
4.       Rev. João Mendes Barreto
5.       Rev. José de Paula Rodrigues
6.       Rev. Clero Gonçalves Dantas
7.       Rev. André Luiz de Carvalho Nunes
8.       Rev. Dílson Soares Dias (em 1997, como coadjutor; e posteriormente titular até os dias atuais).
9.       Pr. Augusto Piloto Silva Júnior (coadjutor)
10.   Pr. Silvio Rocha Oliveira (coadjutor)
11.   Pr. Davi Fenner (coadjutor)

Um acontecimento relevante ainda a ser destacado na vida da Igreja foi a construção do novo templo, inaugurado em 22 de março de 1996, três vezes maior que o antigo. Este foi erguido no período de pastoreio do Rev. André Luís, contando apenas com recursos próprios, por meio de ofertas voluntárias e campanhas realizadas durante a construção. Na época foram investidos aproximadamente R$ 100 mil reais.
No mês de junho de 1999, a Igreja Metodista Central em Vitória da Conquista deu início ao trabalho missionário metodista no sul da Bahia, na cidade de Itabuna; sob a responsabilidade do evangelista local, irmão Mauro Campos Mendes, que permaneceu até o ano de 2005. Ainda em 2002, a referida igreja propôs e foi aprovada no Concílio Regional da 7ª RE, a emancipação da congregação no bairro Santa Cruz, à condição de igreja em processo de consolidação, agregando a esta os projetos missionários de Tremedal e de Povoado São José.
Temos notícias alvissareiras de que o pastor Dílson Soares, os pastores coadjutores e um elenco de discípulos e discípulas, sob a unção do Espírito Santo, estão “alongando as cordas do coração e alargando o espaço da tenda”; ampliando as instalações na sede, nos bairros e em Tremedal. Creio que ninguém poderá deter essa igreja no cumprimento de sua missão. Oro para que Deus siga abençoando o pastor Dílson, sua família, sua equipe pastoral, e fecundando o rebanho sob seus cuidados. Atualmente, a cidade de Vitória da Conquista conta com uma população de 310.130 habitantes. Estima-se que o crescimento demográfico foi de 40% em 45 anos. A Igreja Metodista cresceu cerca de 1.150% no mesmo período. Glórias sejam dadas a Deus!

12. Marco histórico

O marco histórico foi registrado no domingo, às 19 horas, do dia 3 de maio 1967, quando celebramos o primeiro culto no Bairro das Bateias, numa rua de terra e sem saída. Mas deus tem saída para todos nós. Aleluia! Não conhecíamos aquele bairro, nem a rua, nem ninguém; mas quis a providência divina nomear um canto obscuro e humilde para o início da obra missionária em Vitória da Conquista. E ali fincamos as estacas da missão metodista. Bateia é um instrumento usado para garimpar ouro e nós estávamos iniciando a missão de garimpar almas para Jesus Cristo.


Comentários

  1. Maravilhosa leitura, voltei quatro decadas de minha vida. Como filha do pastor Joaquim Diogo, posso dizer que realmente os 13 meses que moramos em Vitoria da Conquista vivemos e vivenciamos a presença cuidadora de nosso Deus. A historia contada é em alguns pontos a nossa historia, um pastor humilde, a esposa dona Delva, uma criatura que podemos chamar de anjo auxiliadora, e seis filhos sendo eu a mais velha, com dezesseis anos. Tivemos de Deus a oportunidade de conhecer e trabalhar nessa terra que Deus tem abençoado. Voltei depois de 35 anos, matei saudades e vi como Deus abençõou Sua igreja.Louvores sejam dados a Ele.

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  2. Maravilhosa leitura, voltei quatro decadas de minha vida. Como filha do pastor Joaquim Diogo, posso dizer que realmente os 13 meses que moramos em Vitoria da Conquista vivemos e vivenciamos a presença cuidadora de nosso Deus. A historia contada é em alguns pontos a nossa historia, um pastor humilde, a esposa dona Delva, uma criatura que podemos chamar de anjo auxiliadora, e seis filhos sendo eu a mais velha, com dezesseis anos. Tivemos de Deus a oportunidade de conhecer e trabalhar nessa terra que Deus tem abençoado. Voltei depois de 35 anos, matei saudades e vi como Deus abençõou Sua igreja.Louvores sejam dados a Ele.

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